A Resistência: Quando as máquinas sentem mais que os humanos
Gareth Edwards entrega uma ficção científica visualmente impressionante e cheia de emoção, em que a inteligência artificial não é apenas código — é alma.
Paulo Bocca Nunes
Em um futuro não tão distante, a relação entre humanos e inteligências artificiais atinge um ponto crítico. Após um ataque nuclear devastar Los Angeles — supostamente causado por uma IA — o Ocidente declara guerra total às máquinas. Do outro lado do mundo, em Nova Ásia, simulantes e humanos vivem em harmonia.
É nesse contexto que surge A Resistência (The Creator), novo filme de Gareth Edwards (Rogue One), que mistura ação, emoção e questões profundas sobre a natureza do ser.
O protagonista é Joshua (John David Washington), um ex-agente infiltrado que é chamado de volta à ativa para localizar e eliminar uma arma criada pelas IAs. O problema: essa arma tem forma de criança. Uma IA chamada Alphie (vivida brilhantemente pela jovem estreante Madeleine Yuna Voyles), que coloca em xeque tudo o que Joshua acreditava.
Um espetáculo visual com alma
Apesar de contar com um orçamento de cerca de 80 milhões de dólares — modesto para padrões hollywoodianos — A Resistência impressiona pela qualidade visual. O diretor filmou em locações reais na Ásia e só depois adicionou os elementos futuristas em computação gráfica, o que confere um ar naturalista e imersivo à ambientação sci-fi.
Mas o verdadeiro destaque está no desenvolvimento emocional. A relação entre Joshua e Alphie é construída com sensibilidade, e o espectador logo se pega torcendo não pela vitória dos humanos ou das máquinas, mas por alguma forma de reconciliação — ou redenção.
Quem são os verdadeiros vilões?
Uma das grandes questões do filme é: quem são os vilões aqui?
O Ocidente, representado por uma máquina de guerra opressiva, parece cego em sua missão de erradicar as IAs. Já os simulantes asiáticos vivem com rituais, crenças e respeito à vida — inclusive à própria morte.
A crítica social é sutil, mas potente. Gareth Edwards coloca em xeque o medo do diferente, a xenofobia disfarçada de segurança e a arrogância de definir quem merece existir. A IA não é a ameaça — o medo humano é.
Comparações: quando as máquinas têm sentimentos
A Resistência se alinha a uma tradição de filmes que tratam as IAs não como simples vilãs, mas como entes conscientes, capazes de emoções e dilemas existenciais. Entre os principais paralelos, destacamos:
🔸 Inteligência Artificial (2001)
Dirigido por Steven Spielberg e idealizado por Stanley Kubrick, o filme narra a jornada de David, um menino robô que quer ser amado por sua mãe humana. Assim como Alphie, David é mais vítima do que ameaça — um símbolo da rejeição e da incompreensão humana.
🔸 Ex Machina (2014)
Neste thriller cerebral de Alex Garland, a IA Ava manipula, questiona e sonha com liberdade. A trama nos faz duvidar de quem está no controle — e se os humanos realmente merecem a confiança que tanto exigem das máquinas.
🔸 Blade Runner 2049 (2017)
Continuação do clássico de 1982, o filme de Denis Villeneuve mostra replicantes em busca de identidade e propósito. O agente K, também um ser artificial, vive dilemas humanos mais profundos do que os próprios humanos ao seu redor.
Todos esses filmes — assim como A Resistência — propõem uma virada poderosa: e se as máquinas forem as únicas a lembrar o que é ser humano?
Curiosidades sobre A Resistência
🔸 Câmeras acessíveis: Gareth Edwards usou a Sony FX3, câmera considerada “compacta”, para filmar quase todo o longa.
🔸 Filme de mochila: A equipe era reduzida, e as gravações ocorreram em diversos países asiáticos com baixo custo de produção.
🔸Estreia brilhante: Madeleine Yuna Voyles (Alphie) foi escolhida após mais de 500 testes de elenco infantil.
🔸Referências visuais: O diretor cita influências que vão de Akira a Apocalypse Now, misturando guerra e espiritualidade.
Conclusão
A Resistência pode não ter sido um sucesso de bilheteria, mas certamente já ocupa um lugar especial entre os filmes de ficção científica que ousam ir além do espetáculo. É um filme sobre guerra, sim — mas também sobre fé, compaixão e a linha cada vez mais tênue entre o natural e o artificial.
Em tempos onde a inteligência artificial já invade nossas vidas, The Creator nos convida a uma pergunta incômoda: estamos prontos para amar aquilo que criamos?
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Paulo Bocca Nunes é professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira. Escritor. Contador de histórias.
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