Round 6: Segunda Temporada Mais Lenta, Porém Profunda
Após três anos de espera, um dos maiores sucessos da Netflix retorna com sua segunda temporada. Apesar da enorme expectativa, será que a nova fase de Round 6 conseguiu corresponder ao impacto da primeira?
Paulo Bocca Nunes
A trama ainda gira em torno de pessoas em dificuldades financeiras que aceitam participar de um jogo de sobrevivência. O prêmio bilionário promete resolver todos os problemas, mas apenas um jogador pode vencer, enquanto os outros são eliminados — e mortos. A primeira temporada, lançada em setembro de 2021, foi um fenômeno, conquistando tanto o público quanto a crítica com sua mistura de tensão, crítica social e personagens complexos.
Hwang Dong-hyuk, criador e produtor da série, revelou inicialmente que planejava apenas uma continuação para encerrar a história. No entanto, ao desenvolver o roteiro, percebeu que o enredo ficaria longo demais, decidindo dividir a narrativa em duas novas temporadas. Segundo ele, a segunda temporada foi estruturada para concluir o arco do protagonista Gi-hun (Lee Jung-jae), deixando a terceira para explorar as consequências de seus atos e o confronto final com os organizadores dos jogos.
A SEGUNDA TEMPORADA
A nova temporada começa exatamente onde a primeira terminou: Gi-hun está no aeroporto, pronto para embarcar, mas uma ligação misteriosa o faz mudar de ideia. Decidido a derrubar os organizadores dos jogos, ele usa a fortuna que ganhou para formar uma equipe e caçar os responsáveis. Paralelamente, o policial Jun-ho (Wi Ha-joon) continua sua busca pela ilha onde os jogos são realizados, enfrentando perigos e possíveis traições, inclusive do capitão do barco que o resgata.
O ponto forte da temporada é a diversidade dos participantes, que representam diferentes arquétipos da sociedade contemporânea. Desde uma mulher transgênero que deseja realizar uma cirurgia, até youtubers falidos e uma dupla improvável de mãe e filho que se inscrevem sem o conhecimento um do outro. Esse espectro de personagens amplia o impacto emocional e torna os jogos ainda mais intensos.
Os desafios seguem a fórmula macabra da primeira temporada, com destaque para a repetição do jogo da boneca e a canção “Batatinha frita 1, 2, 3”. Nesse momento, Gi-hun tenta alertar os outros sobre o que está por vir, mas o caos se instala assim que as mortes começam. Apesar do esforço em humanizar os personagens, a profundidade dos conflitos não foi explorada em sua totalidade, o que pode frustrar quem espera um desenvolvimento mais elaborado.
DESTAQUES ENTRE OS JOGADORES
Alguns personagens se destacam nesta temporada:
- Hyun Ju (Jogadora 120), uma ex-soldado das forças especiais e mulher transgênero, enfrenta preconceitos e demonstra força e liderança em momentos cruciais.
- Kim Jun-hee (Jogadora 222), grávida, luta para garantir um futuro melhor para seu filho, enquanto lida com o assédio de seu ex-namorado, Lee Myeong Gi (Jogador 333), um investidor falido.
- Park Yong Sik (Jogador 007) e sua mãe, Jang Geum Ja (Jogadora 149), formam uma dupla comovente, ambos endividados e em busca de redenção.
Por outro lado, personagens como Thanos (Jogador 230), um rapper aposentado e falido, dividem opiniões, com atitudes que geram mais irritação do que empatia. O que não significa ser algo ruim.
Uma reviravolta intrigante é a revelação de que o Jogador nº 1, que parece se aproximar de Gi-hun como aliado, é na verdade Hwang In-ho (Lee Byung-hun), o temido Front Man. A descoberta abala o protagonista e deixa o público em suspense para os próximos desdobramentos.
A segunda temporada trouxe momentos marcantes, como o intenso reencontro entre Gi-hun e o recrutador, que se enfrentam em um jogo surpreendente entre si. Outro destaque é o jogo da socialização, no qual os participantes são posicionados sobre uma plataforma giratória. A tomada de câmera, feita de cima, captura os jogadores formando padrões que remetem a células em formação. Por fim, a sequência final apresenta o plano ousado de Gi-hun: invadir a sala de controle utilizando o armamento dos guardas mascarados. Esse momento leva o espectador ao centro de uma verdadeira batalha em um espaço confinado e claustrofóbico, criando uma atmosfera de pura tensão.
UMA TEMPORADA MAIS LENTA, MAS COM PROPÓSITO
Embora a segunda temporada tenha menos jogos e um ritmo mais lento, ela se aprofunda nas interações e conflitos entre os personagens, explorando suas motivações e dilemas éticos. No entanto, essa abordagem não agradará a todos, especialmente os fãs que esperavam mais ação e menos drama.
O final deixa uma grande expectativa para a terceira e última temporada, prevista para 2025. Apesar de não ter o mesmo impacto imediato da primeira, esta temporada cumpre o papel de preparar o terreno para o clímax da série, reforçando o aspecto humano por trás do espetáculo mortal.
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Paulo Bocca Nunes é professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira. Escritor. Contador de histórias.
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