Supernova: Ficção Científica Que Não Brilha tanto
Uma produção de 2000 com elementos de hard sci fi, algumas referências de outras obras consagradas do gênero, mas lembra os filmes dos anos 80, principalmente por atuações previsíveis.
Paulo Bocca Nunes
O roteiro de Supernova, disponível na Amazon (para alugar), não nega que bebeu de fontes de obras consagradas da ficção científica, como Alien, por exemplo. A história segue a nave de resgate médico do espaço profundo, Nightingale, que recebe um pedido de socorro da colônia de mineração Titan 37.
Lá, a tripulação encontra um único sobrevivente, Troy Larson, que afirma ser o filho da antiga amante da oficial médico chefe da nave, Dra. Kaela Evers. No entanto, Larson foi misteriosamente alterado por um artefato alienígena que ele traz a bordo. Descobriu-se que este contém matéria de nona dimensão capaz de transformar matéria comum de maneiras estranhas e de potencialmente até mesmo obliterar o universo inteiro. Uma vez a bordo da nave, Larson consegue deixar o piloto na superfície do planeta e então começa a eliminar a tripulação, um por um.
O diretor Walter Hill destacou-se ao longo das décadas de 1980 e 90, como The Warriors, um ícone do cinema lançado em 1979. Ele estava escalado, a princípio, para dirigir Alien (1979), mas o projeto foi entregue a Ridley Scott e Hill ocupando o posto de produtor, o que ele manteve em todas as sequências de Alien. Talvez por esse motivo, Supernova tenha sido um filme tão esperado e se entenda alguns elementos do filme sobre um alienígena solto em uma espaçonave tocando o terror na tripulação.
Desde o começo a produção enfrentou dificuldades que quase inviabilizaram o filme. Um diretor descontente, pouco dinheiro, e problemas de edição fizeram Supernova parecer um grande desastre onde o estúdio estava desesperadamente tentando consertar uma confusão impraticável e fazer algo vendável com isso. Porém, o filme se recusa a ser tão ruim quanto tudo sobre ele parece indicar.
O enredo é muito dependente de Alien e há vários pontos de intersecção: sequências de hipersono; um chamado de socorro de um planetoide que não é o que parece ser inicialmente; um ovo encontrado no planetoide que, quando aberto, começa a infectar pessoas e causar a morte da tripulação; uma IA com personalidade feminina cuja incapacidade de exceder parâmetros de programação estritamente prescritos causa problemas terríveis durante emergências. Esse último detalhe fica muito mais sério ao sabermos que ela gosta de ser chamada de “Amorzinho” ou “Docinho”.
O lado positivo é que, embora a estrutura seja derivada, Supernova surge como consideravelmente mais promissor do que a maioria dos clones de Alien. A abertura, pelo menos até a descoberta do tal ovo cósmico e misterioso, é absorvente. As primeiras cenas a bordo da nave agitam-se com uma sensação de autenticidade realista.
Os diálogos que acontecem entre os tripulantes, com muita carga científica, justificando o próprio gênero, são bastante críveis, mas deixam o espectador mais leigo um tanto atrapalhado. Para aqueles que estão acostumados a um universo tridimensional do planeta azul, ouvir explicações sobre um objeto que segue as Leis de nove dimensões, não é muito fácil.
Algumas das sequências de efeitos – a queda no poço gravitacional do planetoide, o pouso de James Spader na superfície e a aventura no complexo da mina – são conduzidas com tal senso de verossimilhança que você poderia acreditar que realmente está lá.
Walter Hill mantém o pulso firme nas sequências dentro da nave, dando o mesmo clima claustrofóbico e tenso de Alien. A história começa a lançar reviravoltas inesperadas, dando a sensação de que a história está começando a seguir direções estranhas, novas e fascinantes. O mistério sobre o capitão Robert Forster, que é transformado em uma deformidade viva de hiper-sono, não é explicada.
Quando o personagem misterioso, Karl Larsson, entra na nave, a história começa a tomar outro rumo, porém, em determinado momento já se sabe antecipadamente quem é ele. As suas ações para tomar o controle da nave são justificadas fragilmente, a partir de drogas fortes e perigosas.
As cenas de ação conseguem prender razoavelmente o espectador e esse for mais atento vai perceber outra referência bastante importante para a ficção científica. Em uma sequência, o engenheiro da nave tenta reprogramar a IA da nave para ignorar seus recursos de segurança contra danos a humanos para defendê-lo, enquanto Karl tenta quebrar uma janela atrás dele. O diálogo entre o engenheiro e a IA lembra bastante os conflitos entre humanos e robôs envolvendo as Três Leis da Robótica, de Isaac Asimov.
As sequências de sexo no espaço, entre alguns dos tripulantes, em cabines com janelas amplas tendo a imensidão do universo repleto de estrelas, busca ser a parte leve do filme. No entanto, não acrescenta muito à história, nem mesmo quando, em meio aos diálogos, fala-se em ter filhos no espaço em meio a viagens interestelares.
Atuações que não são memoráveis, efeitos especiais razoáveis, trilha musical competente, um roteiro que parece mais preocupado com a exatidão científica especulativa e um diretor competente que salvou o produto final. De um modo geral, Supernova é um filme de ficção científica para entretenimento, mas sem tempo para pensar.
Como curiosidade, o filme entrou na plataforma da Amazon para ser assistida apenas com uma assinatura básica. Depois de algum tempo, a produção passou à condição de assistida alugando ou comprando. Sinceramente, pagar duas vezes para assistir a esse filme é demais, ou seja, pagar a mensalidade da plataforma e depois pagar o aluguel para assistir a um filme nada empolgante, parece ser muito caro.
FICHA TÉCNICA
Direção: Walter Hill, Jack Sholder, Francis Ford Coppola. / Roteiro: William Malone / Elenco: James Spader, Angela Bassett, Robert Forster, Lou Diamond Phillips, Peter Facinelli, Robin Tunney, Wilson Cruz.
Assista ao vídeo sobre esse mesmo artigo, que está no Youtube. Aproveite e se inscreva no canal, acione as notificações, curta o vídeo e deixe o seu comentário.
Paulo Bocca Nunes é professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira. Escritor. Contador de histórias.
I’d forever want to be update on new articles on this internet site, bookmarked! .