The Electric State: Não Precisava Ser Tão Caro Para Isso
Não adianta ter a assinatura de produtores e diretores famosos: é preciso sempre ficar preparado para algo que não dá certo. Esse é o caso dos irmãos Rosso e de The Electric State, disponível na Netflix.
Paulo Bocca Nunes
Há filmes ruins. E há filmes que insultam a inteligência do espectador. The Electric State, produção dirigida pelos irmãos Russo e estrelada por Millie Bobby Brown e Chris Pratt, se encaixa com louvor nessa segunda categoria.
Baseado na belíssima obra ilustrada de Simon Stålenhag, o filme tinha tudo para ser uma adaptação ousada, densa e visualmente impactante — como o livro que o inspira. Mas o que recebemos foi um produto raso, previsível, revestido com o verniz brilhante dos blockbusters modernos e recheado de clichês reciclados.
Os irmãos Russo, ainda surfando na onda de Vingadores: Ultimato, parecem ter se apoiado mais no peso da própria assinatura do que em qualquer esforço criativo real. A história original, silenciosa e melancólica, que mistura decadência tecnológica e solidão em um mundo retrofuturista dos anos 90 alternativos, foi convertida em um road movie genérico com direito a heroína adolescente, robô companheiro, mentor durão e discurso final com pretensões de filosofia de almanaque.
Millie Bobby Brown interpreta a jovem protagonista que, claro, vai salvar o mundo. Nada contra heroínas adolescentes — longe disso. O problema é quando o roteiro as transforma em personagens artificiais, sem conflitos reais, que enfrentam desastres e combates sem um fio de cabelo fora do lugar. A maquiagem impecável, mesmo em meio à destruição, talvez seja o verdadeiro milagre da narrativa.
Chris Pratt, por sua vez, entrega uma performance que soa como paródia de si mesmo: o homem durão, traumatizado, que “conta sua história triste” para justificar sua amargura. Um recurso narrativo preguiçoso que parece retirado de um manual de roteiro de filmes da Sessão da Tarde.
A batalha final é o ápice da previsibilidade. Corte para os heróis: tensão. Corte para os vilões: ameaça. Volta para a heroína: superação. E então, como todo bom blockbuster de algoritmo, a vitória vem acompanhada de um clímax inflado e emocionalmente vazio. Os efeitos visuais são competentes, mas incapazes de sustentar um roteiro que parece montado por inteligência artificial programada para imitar emoções humanas.
É triste, porque The Electric State — o livro — é uma obra poderosa, com uma estética única e uma reflexão profunda sobre a obsolescência tecnológica e a melancolia de um mundo que não sabemos mais consertar. O filme, no entanto, entrega apenas uma colagem de ideias mal aproveitadas, soterradas por fórmulas desgastadas e ambições comerciais.
No fundo, essa adaptação serve como mais um alerta sobre o processo de industrialização do cinema, em que obras com profundidade visual e filosófica são transformadas em produtos genéricos de consumo imediato. A lógica é simples e cruel: manter o ritmo acelerado da produção, garantir o lucro, e deixar a arte — a verdadeira arte — de lado. Em vez de explorar as sutilezas e os silêncios que tornam The Electric State um livro inesquecível, a adaptação escolhe o barulho, o espetáculo vazio e a repetição de fórmulas. Assim, não apenas empobrece a obra original, mas também reforça o distanciamento entre o que o cinema pode ser e o que Hollywood, muitas vezes, insiste em fazer dele.
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Paulo Bocca Nunes é professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade. Especialista em Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira. Especialista em Cultura Indígena e Afro-brasileira. Escritor. Contador de histórias.
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